Sábado, dia primeiro de agosto, Engenhão.
Saio de casa, pego ônibus, metrô para a Central e finalizo com o trem que resolve parar fora da plataforma. Bem, meu dia estava começando bem. Fui parar em Cascadura! Ah, meus tempos de Zona Norte ...
18:31 começa a batalha. Bola pra cá, bola pra lá chutes a gol. Na verdade o jogo pouco importa.
Não queria falar dele e sim dos jogadores.
Não entendo.
Depois de pegar quase todos os meios de transporte disponíveis no Rio de Janeiro, demorar umas duas horas da minha casa ao estádio e ser obrigada a ver em pé o jogo, olhava pro campo e o que eu via? Jogadores sem raça, quase sem sangue. Aqueles mesmos que culpam a torcida pelo desanimo, que reclamam tanto da falta de vibração e de comparecimento, com 12 mil assistindo, agem como se estivessem em frente à televisão jogando um jogo de videogame. A torcida coitada. Mulheres, crianças e idosos que regularmente pagam no mínimo 10 reais de entrada, quando não 20 ou 30, perdem o dia todo nos transportes para chegar no Engenho de Dentro, gastam mais com comida ou bebida no lugar, se cansam para o dia seguinte de trabalho e ainda veem 10 moleques andando de um lado para o outro pensando no contra-cheque do fim do mês. Por favor, né?
Que torcida aguentaria? Nem se em nossas águas possuíssem biotônico Fontoura!
Eu faço meu papel. Trabalho, estudo, estudo até nas férias, mas tento comparecer o máximo que posso, mas pra quê? Para ver isso?
Sorte a nossa que o time é composto por 11! E esse 1 de diferença seja essencial! Numa noite que tudo parecia conspirar ao contrário, ele não ligou para a lei de Murphy (que tanto ronda o Glorioso), para a incoerência técnica do juiz (ladrão?) ou para a incompetência comportamental dos jogadores, lutou, correu, gritou e até xingar o árbitro nós conseguíamos ver.
Resultado: André Lima 2, Barueri 0!
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